As primeiras semanas foram marcadas por reencontros, novas amizades e pela construção de um grupo que, aos poucos, vai encontrando sua identidade. Entre acolhimentos, rodas de conversa e muitas descobertas, a TAT vem se fortalecendo como coletivo, aprendendo a escutar, compartilhar e brincar junto.
Nas Artes, as crianças exploraram diferentes técnicas de pintura, experimentando criar com as mãos e também com pincéis. As produções revelaram não apenas cores e formas, mas gestos, sensações e expressões corporais. Pintar com as mãos trouxe a experiência do toque, da textura e da liberdade; com o pincel, a descoberta de novos movimentos e possibilidades.
Iniciamos também a sensibilização para o projeto deste ano: “Ginga e corpo: quando o esporte sonha em ser jogo”. Para provocar reflexões e ampliar o olhar das crianças, apreciamos a obra Cerimônia, de Thenjiwe Niki Nkosi (2020).
Ao observar a imagem, surgiram leituras sensíveis e potentes:
“As cabeças estão grudadas uma na outra. Tem três pessoas dando abraço nas costas.” (Arthur D.)
“Estão abraçando para viajar, ir embora.” (Arthur F.)
“As mãos estão tocando nas pessoas. A gente toca as pessoas porque a gente ama.” (Max)
A partir das observações, conversamos sobre o que aquelas pessoas vestem:
“Estão com roupa de academia para malhar.” (Maitê)
“Para fazer exercício. A gente faz exercício para ficar suado e forte.” (Arthur D.)
A conversa se ampliou para o cotidiano da escola:
“Aula de Música e Dança com o Jean e a Renata.” (Maitê)
“Aula de Capoeira com o Cigano.” (Eloá)
“Porque a gente dá cambalhota e pula muito alto.” (Arthur F.)
Quando perguntamos o que é esporte, novas interpretações surgiram:
“Esporte é dança.” (Arthur D.)
A partir dessas falas, fomos percebendo como, para as crianças, o esporte se mistura ao brincar, à dança, à música, ao afeto e ao movimento. O corpo aparece como lugar de encontro, força, alegria e expressão.
Encerramos esse momento perguntando que nome poderíamos dar à turma. Entre as sugestões, apareceram: Turma da Capoeira, Turma da Dança e Turma da Música!
Assim, vamos construindo nossa identidade coletiva: entre ginga, corpo, jogo e sonho. As primeiras semanas revelam um grupo que se movimenta junto, que cria junto e que, sobretudo, aprende junto.
As turmas da Educação Infantil, nas aulas de Dança, conheceram um pouco sobre o Frevo, buscando relações com o projeto institucional: “Ginga e corpo, quando o esporte sonha ser jogo”.
Conversamos sobre como o corpo se relaciona com o espaço e com o corpo das outras crianças, jogando com ele na criação dos movimentos, e sobre o que é necessário para que nosso corpo permaneça em movimento. Descobrimos que é preciso cuidado para brincar com os equilíbrios e desequilíbrios presentes nesta dança e que podemos criar passos a partir do nosso repertório corporal e da observação do outro.
Aprendemos passos como saci-pererê, chute de frente, chute de lado, ponta de pé e calcanhar, exploramos equilíbrios e desequilíbrios, improvisamos e criamos nossos próprios passos.
Ao final da experimentação, concluímos que “no Frevo não pode faltar alegria, felicidade!”
E assim, iniciamos nossa aproximação com o projeto.
No último sábado, nosso bloco foi pra rua marcando a abertura simbólica do projeto institucional de 2026: “Ginga e corpo: quando o esporte sonha ser jogo”.
Mais do que uma celebração, o bloco é um disparador do nosso projeto de pesquisa. É ele que inaugura o tema do ano e coloca o corpo em ação como território de experiência, encontro e aprendizagem. Por isso, mais uma vez, realizamos o concurso de samba, convidando toda a comunidade escolar a compor, cantar e pensar junto. Entre os sambas inscritos, o escolhido foi “Um passo à frente”, de Carlos Fernando M. Silva e Moyses J. Cohen, tornando-se trilha, linguagem e pergunta.
O desfile contou com a bateria da escola e com a presença de estudantes, educadores e famílias, que chegaram fantasiados e engajados. Muitas das fantasias dialogavam diretamente com o tema do projeto, explorando o corpo em movimento, o jogo, a brincadeira, o esporte e a ginga como expressão cultural, simbólica e coletiva. Entrar na roda, aqui, foi aceitar o convite ao encontro.
E como todo bom dia de festa precisa de um pouco de cumplicidade do céu, São Pedro ajudou: a chuva só veio mais tarde, permitindo que o bloco ocupasse o espaço, dançasse, cantasse e celebrasse com tranquilidade.
Foi um dia muito feliz. Um dia de corpos presentes, de alegria compartilhada e de início de percurso. Um começo que reafirma nossa escolha por uma educação que reconhece o corpo como lugar de aprendizagem, o jogo como experiência e a cultura como linguagem viva.
Que venha 2026. Com ginga, com jogo e com o corpo inteiro em cena.
Pedimos aos que tiverem registros desse dia que os compartilhem conosco, no link abaixo.
Todo início de ano, parte dos nossos encontros pedagógicos com a equipe é destinada à leitura de textos e a discussões sobre o tema de estudo do ano.
Mas esses encontros não ficam apenas no campo teórico, há também a prática. Em nossa gincana, as equipes de Linguagens, Ciências, Humanidades, Educação Infantil, Artes e as de Fundamental e Médio criam atividades de sensibilização para o projeto e as compartilham entre si.
Nessa dinâmica, os professores ocupam o lugar de alunos, experimentando as propostas elaboradas por seus colegas, vivenciando jogos, dinâmicas e situações de aprendizagem. Além da experiência prática, há um espaço de troca entre os diferentes segmentos, que alimenta o coletivo com perguntas, ideias e possibilidades para o ano que se inicia.
O ano na Pereirinha começou com corredores cheios de sorrisos, reencontros e muitas novidades! Nossa escola abriu os portões para dar as boas-vindas e receber as crianças antigas e novas, que chegaram trazendo curiosidade, expectativas e aquele friozinho na barriga típico dos grandes começos.
Entre olhares atentos e passos ainda tímidos, as crianças pequenas iniciaram seu processo de acolhimento com o apoio carinhoso das professoras, que lhes ofereceram colo, escuta e muito afeto. Aos poucos, o choro vai dando lugar às risadas e às brincadeiras compartilhadas, e as primeiras amizades já começam a aparecer.
As turmas do primeiro ano também viveram momentos especiais. A alegria era visível ao abrir as mochilas e organizar, com orgulho, os materiais novos: cadernos, estojos e tantos outros objetos que marcam o início dessa nova etapa.
Neste ano, nosso projeto pedagógico tem um nome que já inspira muita alegria e movimento: “Ginga e corpo: quando o esporte sonha ser jogo”. Ao longo do semestre vamos explorar o esporte para além da competição, valorizando a ludicidade, o respeito, a cooperação e a alegria de brincar e se movimentar juntos.
Agora, faremos uma breve pausa para a folia e a celebração do Carnaval. Que esse tempo seja de diversão e descanso, para retornarmos com ainda mais energia e entusiasmo para viver um ano que promete ser lindo, com muita ginga, jogo e esporte!
As cores da obra Cerimônia voltaram a ocupar nosso olhar e nossas conversas. Inspiradas na paleta vibrante utilizada por Thenjiwe Niki Nkosi, as crianças mergulharam em novas experimentações.
Observaram os tons presentes na imagem, escolheram suas combinações e pintaram o fundo com tinta guache, explorando diferentes materiais: o batedor, que possibilitou texturas amplas e marcadas, e o pincel fino, que favoreceu traços mais delicados e intencionais. O contraste entre gestos largos e movimentos precisos ampliou a percepção sobre ritmo, força e controle.
Durante o processo, retomamos as hipóteses levantadas anteriormente sobre a cena retratada na obra. Os pequenos recordaram suas falas, revisitaram ideias e compararam percepções, exercitando a memória, a argumentação e a escuta do outro. Ao mesmo tempo, experimentaram corporalmente as relações de proximidade, abraço e união presentes na imagem.
Realizamos registros fotográficos das crianças reproduzindo a cena da obra, recriando as posições dos corpos e investigando como o toque, o gesto e a organização no espaço comunicam sentimentos e intenções. A vivência possibilitou compreender, na prática, que o corpo também é linguagem: expressa, narra e constrói sentidos.
Entre tintas, movimentos e imagens, a TAT segue ampliando seu repertório cultural, estético e corporal. As experiências fortaleceram a autonomia nas escolhas, a cooperação entre pares e a capacidade de observar, interpretar e produzir significados a partir de diferentes linguagens: visual, corporal e verbal.
O percurso evidencia como a arte pode ser espaço de investigação, diálogo e criação coletiva, integrando sensibilidade, imaginação, movimento e reflexão.
É chegada a hora de escolher um nome para a nossa turma! Aguardem as novidades!
Depois das primeiras sugestões de nomes para a TAT, a conversa foi se afunilando e ficamos entre duas possibilidades: Capoeira e Dança. Para decidir qual nome representaria a turma, organizamos um momento de votação.
Cada criança recebeu um papel recortado e colou-o em uma cartolina no espaço correspondente ao nome escolhido. Combinamos que cada pedaço representaria um voto, tornando o processo visível para todos.
Com curiosidade e expectativa, acompanhamos o processo e, em seguida, fizemos a contagem coletiva, observando as quantidades e comparando os resultados.
Ao final, Capoeira recebeu 10 votos e Dança apenas 3, definindo-se, assim, o nome do grupo: Turma da Capoeira!
Esse momento foi vivido com muito envolvimento e marcou uma importante experiência de participação. Os pequenos puderam expressar suas preferências, escutar os pares e acompanhar como uma decisão coletiva pode ser construída.
A atividade mobilizou diferentes aprendizagens: ao explicar suas escolhas e acompanhar a leitura das opções, as crianças exercitaram a linguagem oral e a escuta atenta; ao contar e comparar os votos, exploraram ideias matemáticas como registro, contagem e relações de quantidade.
Para celebrar a escolha, a criançada percorreu a escola anunciando o novo nome do grupo. Munidas de instrumentos musicais, compartilharam com alegria: “Eira, eira, eira/ É a Turma da Capoeira!”. Entre sons, movimentos e muita animação, o anúncio marcou de forma festiva a construção da identidade do grupo.
Com a escolha do nome da turma, iniciamos um novo movimento de investigação, ampliando o repertório cultural das crianças: apresentamos o artista Carybé e suas obras voltadas à capoeira.
Ao observar as imagens, as crianças se atentaram aos gestos, movimentos e cenas, levantando comentários e perguntas sobre o que viam: os corpos em ação, a roda, a presença da música e os encontros entre as pessoas.
Esse momento inaugura novos caminhos de pesquisa, aproximando arte e cultura corporal. A experiência favoreceu a observação, a interpretação e a construção de sentidos, fortalecendo a capoeira como tema de investigação do grupo e ampliando as possibilidades de conhecer, expressar e aprender por meio de diferentes linguagens.
As turmas da educação infantil, nas aulas de Dança, experimentaram diferentes posições do corpo no espaço.
Após tentar descobrir qual esporte cada imagem de atleta representava, e conhecer algumas curiosidades sobre as modalidades exibidas, aquecemos nossas articulações e experimentamos representar corporalmente as imagens. Um desafio e tanto!
Finalizamos a vivência colocando os esportes em ordem e criando uma sequência coreográfica com eles, ampliando o repertório corporal e a noção espacial.
As pesquisas da Turma da Capoeira seguem a todo vapor. Vivenciamos uma viagem simbólica até Salvador (BA), articulando imaginação, arte e cultura.
Iniciamos entregando os “cartões de embarque”, com os nomes das crianças e o trajeto Rio de Janeiro – Salvador, que foram personalizados com desenhos dos pequenos. Em seguida, embarcamos em um voo conduzido pela Iara, professora auxiliar da turma, que, sendo baiana, assumiu o papel de pilota, tornando a experiência ainda mais significativa.
Ao “aterrissarmos”, conhecemos o Museu de Arte da Bahia e revisitamos obras de Carybé que retratam a capoeira, ampliando o olhar das crianças para gestos, movimentos e cenas já explorados anteriormente. Em seguida, apreciamos a música Meia Lua Inteira, de Caetano Veloso, fortalecendo as relações entre corpo, ritmo e cultura.
Também apresentamos o lutador baiano Waldemar Santana, antecipando o encontro com sua imagem no mural do projeto Negro Muro, na Lapa. Para encerrar, retornamos simbolicamente ao Rio de Janeiro, nos preparando para esse próximo percurso.
A proposta integrou diferentes linguagens: simbólica, visual, corporal e musical, favorecendo a imaginação, a construção de narrativas e a ampliação do repertório cultural das crianças, em diálogo com os caminhos já construídos pelo grupo.
A Turma da Capoeira, passeou até a Lapa para conhecer o mural de Waldemar Santana, feito por Fernando Sawaya, pai da amiga Eloá.
Ao chegarem, as crianças reconheceram elementos explicados por Fernando, ampliando o olhar sobre a capoeira e percebendo como a cultura e a história também estão presentes nos muros da cidade. O encontro favoreceu observações, comentários e conexões com os conhecimentos construídos pelo grupo.
Após a visita, seguimos para a Praça Paris, onde realizamos um lanche coletivo e momentos de convivência e brincadeira. O passeio possibilitou articular as experiências da sala com o espaço urbano, ampliando o repertório cultural das crianças, fortalecendo a vivência do coletivo e promovendo aprendizagens a partir da observação, do deslocamento e da interação com a cidade.
Assim, o grupo segue construindo conhecimentos de forma significativa, conectando investigação, cultura e território.