Na Aula de Capoeira, o professor Cigano apresentou às crianças novos instrumentos, como berimbau desmontável, o chocalho com unhas de lhama, o tambor de PVC com pet, o chocalho de tampinhas, pau de chuva e apitos de passarinho. As crianças puderam explorar e experimentar os diferentes sons produzidos por cada um deles. E estimular a escuta ativa dos sons ao nosso redor – afinal tudo tem som!
Aprendemos uma nova música: “Fala tu que é muleque, muleque é tu…”; “tava na beira da praia, vendo o que a maré fazia, quando eu ia ela voltava, quando eu voltava ela ia…”; “sambalelê bateu na porta, sambalelê vai ver quem é, sambalelê é meu amor, sambalelê samba no pé…”
Desde o início das aulas, o grupo acompanhou com curiosidade o processo de escolha dos nomes das outras turmas, como Turma da Brincadeira, Turma da Capoeira, Turma da Bola, Turma do Corpo, Turma do Esporte e Turma do Movimento.
Inspirados por esse movimento, organizamos uma roda de conversa para decidir como gostaríamos de nos chamar. Em seguida, preparamos uma votação em cartolina, com três opções: bambolê, peteca e pião. As sugestões surgiram a partir de uma proposta com um baú surpresa, que despertou o interesse das crianças ao apresentar esses objetos.
Cada criança registrou seu voto, e a participação se ampliou para além da sala, envolvendo também famílias e funcionários da escola.
O processo foi acompanhado com entusiasmo por toda a escola.
Ao final, o nome escolhido foi Bambolê!
Para celebrar, percorremos a escola cantando “Olê, olê, olê, é a turma do Bambolê!”, ao som de instrumentos tocados pelas crianças, em um momento de muita alegria
Viva a Turma do Bambolê!!!
Turma da Capoeira (TAT)
As investigações da Turma da Capoeira ganharam novos sentidos a partir da experiência do amigo Arthur Daniels que, após uma viagem à Bahia, presenteou a turma com um berimbau. Em roda, compartilhou suas vivências, ampliando o repertório coletivo por meio de uma experiência significativa.
A chegada do instrumento despertou curiosidade, mobilizando o grupo a observar, escutar e levantar hipóteses sobre seus sons e usos na capoeira.
Dando continuidade, realizamos a leitura do livro Berimbau mandou te chamar, de Bia Hetzel, e a apreciação da música Berimbau, de Vinícius de Moraes, ampliando o contato com diferentes linguagens.
A proposta integrou oralidade, música e literatura, favorecendo a escuta, a expressão e a valorização das experiências compartilhadas, fortalecendo a construção coletiva do conhecimento.
Nossa investigação sobre as diferentes maneiras de brincar pelo mundo ganhou um novo capítulo. A Turma da Brincadeira recebeu uma encomenda especial: uma caixa misteriosa que, ao ser aberta, revelou um pedaço de papel, uma tesoura e uma pedra. Tratava-se de um presente do Juo, uma criança japonesa que nos convidou a conhecer uma de suas atividades favoritas com os amigos.
Para nos ensinar a dinâmica, Juo enviou um vídeo falando em sua língua nativa, o japonês. Logo em seguida, assistimos a outro registro, desta vez, de seus amigos mexicanos brincando do mesmo jeito. O grupo observou atentamente cada movimento e, em um exercício de escuta e percepção visual, as crianças rapidamente identificaram as semelhanças e as sutilezas de cada cultura. A conclusão da turma foi imediata e fascinante: a mecânica do jogo era a mesma, mas a grande diferença entre as três versões, a japonesa, a mexicana e a nossa, estava no canto.
Essa troca nos revelou que o corpo fala uma língua comum através dos gestos, mas ganha uma ginga própria quando a voz entra em cena.
A curiosidade tomou conta do grupo quando um objeto desconhecido foi apresentado para a turma. Antes de vê-lo, as crianças foram convidadas a desvendar o mistério através do tato, levantando hipóteses sobre o que sentiam. A revelação foi impactante: tratava-se do esqueleto de uma mão humana. Com olhar atento, observamos que nossa mão é formada por muitos ossinhos que trabalham juntos para que possamos realizar movimentos diferentes.
Durante nossas conversas, relacionamos essa anatomia com a vida prática, percebendo como as mãos são protagonistas nos esportes e nas brincadeiras cotidianas. Para aprofundar a experiência, o grupo partiu para a construção: utilizando diversas peças de papel rígido e articulado, trazidas pelo amigo Bernardo, as crianças identificaram e encaixaram, uma a uma das partes do corpo humano até formarmos um esqueleto completo. Após um trabalho de muita atenção aos detalhes, o personagem foi batizado pela turma como “Geraldo”, tornando-se o novo integrante de nossas pesquisas.
Para ampliar essa investigação, mergulhamos na sonoridade do grupo Barbatuques com a música Tum Pá. O registro das palavras-chave no “blocão” e a montagem do Geraldo ajudaram o grupo a entender que os ossos são como a base do nosso corpo, que nos segura e permite que a gente se mexa, jogue e crie ritmos diferentes. A turma segue nesta investigação, ampliando o conhecimento e explorando o funcionamento e as capacidades do corpo humano.
Inspiradas pelas descobertas sobre a geometria da esfera, a Turma da Bola conheceu o artista Jeff Koons e uma das obras da sua famosa série Gazing Balls. As crianças observaram atentamente cada detalhe da composição, notando como o autor posiciona esferas de vidro coloridas sobre reproduções de esculturas e pinturas icônicas da história da arte. Após contarmos quantas esferas compunham a obra, nosso querido amigo Samuel questionou: “Como ele consegue segurar todas essas bolas sem deixar cair?”. Em seguida, Henrique complementou com uma observação perspicaz: “Ele está utilizando o equilíbrio!”. Aproveitando o gancho dessa conversa instigante, criamos situações matemáticas para explorar quantidades, somando e subtraindo esferas de forma lúdica. Foi uma excelente experiência “brincante”, que uniu a apreciação artística ao raciocínio matemático.