O coco

Ateliê

O Coco, enquanto gênero musical, está entranhado na música popular brasileira. Dizem que ele é o pai do Baião, ritmo popularizado por Luiz Gonzaga. Claro que estamos falando do Coco com suas múltiplas manifestações e variações. O Coco de embolada que trás o improviso do verso rimado em desafio. O Coco de Arco Verde, com seu padrão rítmico diferenciado na região. O Coco de roda, Coco de Umbigada e por aí vai. Mas mesmo com tantas variações percebemos claramente uma clave em comum, geralmente reproduzida pelas palmas que acompanham a performance. 

Com as crianças buscamos firmar e internalizar essas palmas como a base para tocarmos os demais instrumentos. No tambor por exemplo, percutimos duas vezes a pele e em seguida batemos no aro no contratempo. O que chamamos de “Pele, Pele , Aro”. No Pandeiro, instrumento bem mais complexo em possibilidades de timbre, firmamos a mesma clave percutindo o dedão do grave duas vezes e depois o tapa seco na pele, slap. Para dar mais molho, tocamos o ganzá subdividindo o tempo em 4. 

Jackson do Pandeiro tem sido nossa principal referência apesar dele passear por outros gêneros nordestinos, inclusive os aproximando do samba. Mas o fato é que o Jackson é a referência até hoje de suingue e embolada na sua maneira única e nada óbvia de cantar. Em sintonia com nosso projeto institucional as crianças estão cantando o coco “Um à Um”, remetendo a paixão das torcidas pelas cores de seus times. Mas o time de primeira é mesmo formado por essa criançada esperta e atenta que agora descobriram a genialidade desse gênero ancestral.

Experiência com o Cigano

Turma do Bambolê (Berçário) e Turma da Capoeira (TAT)

A Turma da Capoeira e a  Turma do Bambolê participaram de uma aula com o professor Cigano.

Durante o encontro, houve contato direto com os instrumentos da capoeira, explorando sons, ritmos e suas funções na roda. Em seguida, os movimentos foram experimentados na prática: ginga, esquivas e deslocamentos corporais possibilitaram ampliar o repertório motor, a coordenação e a consciência do corpo em ação.

A proposta também ganhou força no encontro entre as turmas. Ao compartilhar o espaço com os menores, o grupo vivenciou situações de cuidado, observação e troca, ajustando gestos, ritmos e interações. Essa convivência favoreceu a construção de vínculos, o respeito às diferenças e a aprendizagem com o outro.

A experiência integrou corpo, música e coletividade, fortalecendo a capoeira como prática cultural e ampliando as possibilidades de expressão!

Brincadeiras com Bola

Turma da Brincadeira (TBT)

Após vivenciarem o passeio ao Parque da Chacrinha, a Turma da Brincadeira relembrou os jogos populares brasileiros e de diferentes partes do mundo que já conheciam e, durante a roda, levantaram algumas inquietações sobre o futebol:
“Será que podemos jogar futebol sem quadra?”
“E sem pessoas?”
“Será que é possível jogar sem usar os pés?”
“E usando somente as mãos?”

Pensando em quem poderia ajudá-los a sanar essas inquietações, lembraram que a Turma da Bola vem pesquisando jogos que utilizam diferentes tipos de bola. Sendo assim, a Turma da Brincadeira escreveu uma carta convidando o grupo para um encontro, no qual pudessem trocar informações sobre o tema. As crianças estão animadas, aguardando o retorno!

Corpo,  Movimento e Investigação

Turma do Corpo (TCT)

As pesquisas sobre o corpo e movimento levaram a turma a um desafio envolvente. A investigação partiu da hipótese de Caetano: “Não corremos rápido como o leopardo”. Após confirmarem a superioridade física dos felinos, o grupo buscou em Usain Bolt — que alcançou a marca histórica de 9,58 segundos em 2009 — a referência humana para iniciar o estudo sobre o atletismo.

Para comparar o desempenho da turma com o recorde mundial, surgiu a necessidade de medir o espaço disponível. A primeira tentativa, enfileirar sapatos com a ajuda da “Turma da Bola”, revelou-se imprecisa devido à variação dos tamanhos e à quantidade insuficiente de calçados. A solução foi o uso de uma fita métrica de 1 metro: através de um método de marcação sucessiva no chão, o grupo concluiu que o pátio possui aproximadamente 19 metros.

Com a distância definida e o cronômetro em mãos, a turma registrou marcas entre 6 e 8 segundos. Após eliminatórias de desempate entre os melhores tempos, o amigo Davi venceu a final e consagrou-se o mais rápido do grupo. A experiência foi consolidada com a construção de um gráfico de desempenho, contemplando o pensamento matemático e investigativo de forma contextualizada.

China, Inglaterra e Brasil

Turma da Bola (TDT)

Há quase mil anos, os malabaristas chineses faziam dançar a bola com os pés, e foi na China.” (Futebol ao Sol e à Sombra, de Eduardo Galeano)

Mobilizados pelas conversas sobre o Futebol, a Turma da Bola conheceu a história de Charles Miller, que em 1894 trouxe da Inglaterra, em sua bagagem, uma bola de couro, chuteiras e um manual com regras. Foi assim, que o futebol, apresentado por ele, se espalhou por todo Brasil. Para ilustrar essa história, as crianças assistiram ao vídeo Quintal da Cultura: História do Futebol, ampliando as descobertas sobre esse esporte tão presente em nossa cultura. Para enriquecer, ainda mais, nossas descobertas, a turma apreciou a obra do artista Hank Willis Thomas cuja as suas esculturas de esferas transformam em Arte um objeto comum das brincadeiras infantis . Depois, um desafio foi lançado: as crianças representaram a quantidade de bolas presentes na obra do autor, entrando em contato direto com o conceito de quantidade na Matemática de forma lúdica.