Cultura Popular

Ateliê F1

Começamos o ano envoltos na maior festa popular do planeta, ou pelo menos do Brasil: o Carnaval.

Nossa acolhida e nossa chegada não poderiam ser mais festivas e calorosas. A eterna discussão entre o carioca e o baiano para ver quem, de fato, inventou o samba quase gerou uma confusão entre o capoeirista baiano e o malandro carioca, mas o desfecho veio com o “te cutuco, não cutuca”, frase que imita o som da cuíca e o princípio do ritmo do samba. Depois, tudo acabou em marchinha.

Na sequência, buscando um alinhamento com o projeto institucional, embarcamos no jogo, na brincadeira, no canto de trabalho e no ritmo popular do coco. Suas múltiplas variedades estão presentes em todo o Brasil, mas sobretudo no Nordeste. Coco de roda, coco de embolada, coco de umbigada, coco alagoano e coco de Arcoverde mostram a diversidade e os múltiplos caminhos que esse folguedo e ritmo, popularizado na nossa MPB, pode trilhar.

A movimentação e a dança, com a pisada forte marcada pelo mesmo pé, fazem alusão à forma como atuam os trabalhadores que colhem e transportam o coco, jogando e recebendo o fruto, passando-o de mão em mão até o caminhão. Muitos jogos e brincadeiras surgem daí: brincar de versar e rimar, brincadeiras com chapéu e muito mais.

Vida longa a essa brincadeira e a esse ritmo, que chegou a ser classificado como o pai do baião!

Equilíbrio do Corpo no Jogo

Ateliê F2 a F5 – Oficina de Construção

Na Oficina de Construção do Ateliê, fizemos um trabalho de sensibilização sobre a física que envolve as práticas esportivas. Levantamos os conceitos de centro de massa, equilíbrio do corpo extenso, alavanca e gravidade.

As turmas fizeram um experimento conhecido como “cadeira humana”, em que os alunos conseguem deitar no colo uns dos outros e, retirando as cadeiras que os sustentam, permanecem equilibrados. Depois começamos a usar técnicas que permitem nos mostrar onde está o centro de massa (ponto de equilíbrio) de objetos e de algumas figuras geométricas.

Nos grupos 1 e 2, conversamos sobre dois esportes que eles praticam no ateliê: judô e capoeira. Vimos na prática como a “base” desses esportes está diretamente relacionada ao equilíbrio necessário para praticá-los. Os alunos tentaram derrubar o professor Henrique, postado na base estabelecida por judô e capoeira, e não conseguiram.

Para gingar e jogar, muito equilíbrio e base devemos experimentar e praticar.

Anéis Olímpicos 

F1

As turmas do primeiro ano foram surpreendidas com um pequeno papel que apareceu por debaixo da porta das salas. Nele havia uma pista e um convite para procurar um tesouro pela escola. Passando pela Biblioteca, Pereirão, Sala de Jogos, Campinho e Salão, as turmas foram encontrando bambolês coloridos e novas pistas. Com todos os bambolês em mãos, identificaram mais uma parte do tesouro: a imagem dos anéis olímpicos. 

Rapidamente as crianças falaram que já tinham visto aquela imagem em outros lugares, umas na televisão, outras em livros, até que algumas lembraram: “Esse é o símbolo das Olimpíadas!”. 

Reproduzimos a imagem com os bambolês e lançamos um desafio: Qual história esse símbolo conta? 

Cada criança levou para casa um papel para, junto com a família, pesquisar curiosidades sobre os anéis olímpicos. O retorno das pesquisas foi muito interessante e aguçou a curiosidade das crianças sobre essa história que é tão antiga.

A partir dessa conversa, vamos iniciar nossas pesquisas sobre perguntas que rondavam as duas turmas desde o início das atividades de sensibilização. Como e onde os esportes foram inventados?

Que comecem os jogos!

O Jogo no Espaço

F1 – Dança

Divididas em grupos, as crianças de F1 exploraram dinâmicas de jogo no espaço utilizando uma bola de meia e cones de plástico, que pouco a pouco iam sendo retirados até que não houvesse nenhum material disponível além do corpo e da música.

Enquanto um grupo realizava a atividade, os demais apreciavam e elaboravam suas observações.
Sentados em roda, conversamos e pensamos juntos sobre qual etapa da atividade era mais competitiva, se todas representavam um jogo, se no jogo haviam regras e o que se transformou de uma etapa a outra.

“O futebol era mais competitivo.”

“Percebi que os elementos foram sendo retirados em uma ordem: cones, bola e depois ficou sem nada.”

“O jogo mudou quando tirou os cones: de futebol, virou queimado.”

“Percebi que quando não tinha nenhum objeto, algumas crianças ficaram “fingindo” que estavam jogando o mesmo jogo de antes.”

“Tentei sugerir que fizéssemos uma brincadeira que não precisasse de nenhum objeto.”

Finalizamos com a pergunta: se no jogo tem regras que precisamos saber para chegar ao objetivo, na dança será que também tem regras? E que foi prontamente respondida:
“Sim e não, porque na dança livre não tem regras.”

Com estas impressões, as crianças vão ampliando não só o repertório motor no espaço como também o vocabulário referente a linguagem da dança.

Esporte, Andy Warhol e Pop Art

F2- Artes

Ao iniciarmos as primeiras conversas sobre o projeto e como seriam as aulas de Artes, os grupos do segundo ano ficaram sabendo como é feita a escolha das imagens que são usadas na sinalização dos espaços da escola.

Primeiramente, é feita uma curadoria detalhada de obras de arte usando o tema do projeto institucional como referência básica. E neste ano, esportes e atletas estão por toda parte!

Ao serem perguntados se já haviam observado as imagens pelos corredores da escola, alguns relataram que tinham visto algumas sim e chamaram atenção para aquelas que trazem atletas mais conhecidos por eles.

Na porta da sala de Artes, a imagem escolhida é um dos trabalhos do artista Andy Warhol apresentando fotos de alguns atletas importantes do período em que a obra foi produzida.

Essas fotos estão sobre fundos bem coloridos. Os atletas em questão não são conhecidos dos pequenos estudantes, porém um deles foi reconhecido facilmente: Pelé! Observando outros trabalhos dele foram surgindo rostos e personagens famosos e conhecidos pelos grupos como Mickey Mouse e o Michael Jackson.

A partir deste primeiro contato, demos início a uma apreciação sobre obras e artistas que fizeram parte da Pop Art numa pesquisa rápida: Keith Haring, Roy Lichtenstein e Takashi Murakami.

Usando a linguagem proposta por esse grupo, os estudantes fizeram um desenho com a frase “Pop Art” usando canetinhas, muitas cores e texturas!

Desafio das Tampinhas

F2 – Matemática

As F2 foram desafiadas a contar uma grande quantidade de tampinhas de forma rápida e prática. Inicialmente, fizeram estimativas com base no volume observado no pote. Em seguida, organizadas em pequenos grupos, exploraram diferentes estratégias de contagem.

Alguns grupos contaram de 1 em 1, outros de 2 em 2 ou 5 em 5. Ao longo do processo, surgiram recontagens, dúvidas e ajustes, além de trocas de ideias que levaram à estratégia de contar de 10 em 10. As crianças perceberam que a organização em agrupamentos facilita a contagem.

A atividade gerou boas discussões sobre as diferentes estratégias e levou à conclusão de que agrupar de 10 em 10 torna os cálculos mais simples, além de reforçar a importância do trabalho em grupo.

Sequências Lógicas

F3 – Projeto

As F3 participaram de um circuito de atividades voltado à criação de sequências lógicas. Utilizando diferentes materiais, como corda, formas geométricas, elementos naturais, tampinhas e sons, as crianças foram desafiadas a organizar padrões que pudessem ser compreendidos e reproduzidos por outras pessoas.

Em pequenos grupos, além de montar as sequências, elaboraram registros para comunicar suas ideias com clareza, permitindo que os colegas reconstruíssem as propostas apenas pela observação. A atividade incentivou a organização do pensamento, a atenção aos detalhes e o reconhecimento de padrões.

Para ampliar as possibilidades, a leitura do livro Bolo Lobo: o livro das coleções, de Renata Bueno, contribuiu para a reflexão sobre diferentes formas de organizar elementos e criar sequências.

Ao final, as crianças registraram suas descobertas no caderno e criaram novas sequências para que os colegas pudessem observar, identificar padrões e dar continuidade.

Batendo uma Bola

F3 – Artes

Nas aulas de Arte, as turmas do terceiro ano iniciaram a sensibilização para o projeto institucional elegendo a bola como um elemento central do universo esportivo. Para sustentar essa escolha, os alunos construíram coletivamente uma lista de modalidades em que a bola é fundamental. As primeiras referências trouxeram esportes mais conhecidos, como o futebol, que apareceu logo nas primeiras falas.

Aos poucos, porém, as crianças ampliaram esse repertório, incluindo outras práticas como a ginástica artística e o polo aquático. Surgiram também questionamentos importantes: “O que pode ser considerado esporte?”, “Pilates e ioga são esportes?”, “E a dança?”. Essas perguntas fazem parte do início do processo e contribuem para organizar ideias e aprofundar a compreensão sobre o tema do ano.

Em seguida, realizamos uma pesquisa de imagens no computador para reunir referências visuais dos esportes levantados. A partir desse material, foi proposto um jogo de bingo: cada criança recebeu uma folha com nove quadrados e desenhou, com capricho, diferentes tipos de bolas.

Na hora da brincadeira, pequenos papéis com nomes de esportes foram sorteados e lidos em voz alta, ora pelos adultos, ora pelas próprias crianças. A cada esporte anunciado, a animação tomava conta do grupo. Tivemos vencedores, mas o entusiasmo foi tanto que quiseram continuar jogando até que todos os esportes fossem “cantados”.

Foi uma atividade leve, divertida e significativa, que abriu caminhos para as investigações do projeto ao longo do ano.

Movimento e Bem-estar

F4 – Projeto

A partir de notícias, artigos e reportagens sobre diferentes modalidades esportivas, as F4 investigaram sobre como o corpo humano reage à prática de atividades físicas. Identificaram que as atividades físicas têm impacto sobre o humor e a disposição para as tarefas do dia.

Entre informações e curiosidades, registraram no caderno suas reflexões e discussões. Concluíram que praticar esportes está muito além da diversão: ajuda a melhorar a saúde e contribui para o bem-estar físico e mental.

E ficou uma pergunta importante: como podemos incluir mais movimento no nosso dia a dia?

Leituras que Inspiram

F5 – Projeto

Entre as atividades de sensibilização para o projeto institucional “Ginga e corpo: quando o esporte sonha ser jogo”, realizamos a leitura do livro Na torcida, de Cecília Cavalieri. A obra apresenta crianças de diferentes culturas que se encontram em um concurso para assistir à final da Copa do Mundo e, nesse contexto, descobrem, para além da paixão pelo futebol, a força da amizade, da música e das emoções compartilhadas.

Esses temas têm reverberado nas conversas e apontam possíveis caminhos de estudo para as F5. Em breve reuniremos esses elementos, trazendo novidades sobre o projeto.

O Corpo em Equilíbrio: Entre o Esporte e a Dança

F2 a F5 – Dança

Nas aulas de Dança de F2 a F5, seguimos investigando como alguns movimentos presentes nos esportes também aparecem na dança.

Começamos com uma conversa retomando os esportes observados anteriormente e a lista que construímos juntos com diferentes tipos de movimentos. A partir daí, nos perguntamos como o corpo se organiza em algumas situações: O que ele precisa fazer para não cair do skate? O que acontece quando uma ginasta se equilibra?

As crianças trouxeram a ideia de que o corpo precisa “se jogar um pouquinho pra lá e um pouquinho pra cá”. Aos poucos chegamos às ideias de peso e contrapeso: quando o corpo desloca o peso para um lado, precisa encontrar um contrapeso para não cair. Também conversamos sobre os apoios, percebendo que quanto menor é o apoio, mais difícil pode ser sustentar o equilíbrio.

Depois dessa conversa inicial, partimos para as experimentações no corpo. As crianças exploraram diferentes apoios (pés, mãos, joelhos e outras partes do corpo) e, quando a música parava, precisavam encontrar uma posição de equilíbrio.

Em seguida, experimentamos o contrapeso em duplas, inclinando o corpo para trás e descobrindo como o equilíbrio também pode acontecer entre duas pessoas.

Depois, em grupos maiores, o desafio foi criar esculturas de equilíbrio, em que todos precisavam estar conectados e sustentar uma estrutura coletiva inspirada em posições que aparecem nos esportes.

Na roda final, retomamos as experiências da aula e refletimos sobre quando sentimos mais o peso do corpo, quando o outro ajudou a equilibrar e onde percebemos relações com os esportes.

Assim, seguimos investigando como movimentos presentes no universo esportivo estão presentes na linguagem da dança, e podem se transformar em material de criação.