O coco

Ateliê F1

O Coco, enquanto gênero musical, está entranhado na música popular brasileira. Dizem que ele é o pai do Baião, ritmo popularizado por Luiz Gonzaga. Claro que estamos falando do Coco com suas múltiplas manifestações e variações. O Coco de embolada que trás o improviso do verso rimado em desafio. O Coco de Arco Verde, com seu padrão rítmico diferenciado na região. O Coco de roda, Coco de Umbigada e por aí vai. Mas mesmo com tantas variações percebemos claramente uma clave em comum, geralmente reproduzida pelas palmas que acompanham a performance. 

Com as crianças buscamos firmar e internalizar essas palmas como a base para tocarmos os demais instrumentos. No tambor por exemplo, percutimos duas vezes a pele e em seguida batemos no aro no contratempo. O que chamamos de “Pele, Pele , Aro”. No Pandeiro, instrumento bem mais complexo em possibilidades de timbre, firmamos a mesma clave percutindo o dedão do grave duas vezes e depois o tapa seco na pele, slap. Para dar mais molho, tocamos o ganzá subdividindo o tempo em 4. 

Jackson do Pandeiro tem sido nossa principal referência apesar dele passear por outros gêneros nordestinos, inclusive os aproximando do samba. Mas o fato é que o Jackson é a referência até hoje de suingue e embolada na sua maneira única e nada óbvia de cantar. Em sintonia com nosso projeto institucional as crianças estão cantando o coco “Um à Um”, remetendo a paixão das torcidas pelas cores de seus times. Mas o time de primeira é mesmo formado por essa criançada esperta e atenta que agora descobriram a genialidade desse gênero ancestral.

O Problema da Régua Equilibrada

Ateliê F2 a F5

Na oficina de construção do ateliê, as turmas realizaram uma atividade investigativa e experimental. Ao chegarem ao laboratório de Ciências, encontraram, sobre cada bancada, uma régua com furos a cada 5 cm, pendurada por um barbante. A partir disso, precisaram lidar com a seguinte situação-problema: como fazer para, usando apenas clipes de papel, manter a régua sempre na horizontal?

Para resolver o desafio, era necessário colocar clipes grandes e pequenos nos furos da régua, de modo que ela permanecesse equilibrada. Assim, as crianças começaram a manusear livremente os materiais, tentando organizar os clipes para que a régua não tombasse. Num primeiro momento, os clipes foram dispostos de maneira quase aleatória, em um processo de tentativa e erro.

Após algumas tentativas, as crianças começaram a refletir sobre os resultados obtidos e, a partir de concepções espontâneas, conseguiram equilibrar as réguas ao posicionar os clipes em furos específicos. Depois que todos concluíram o experimento, foram questionados sobre como conseguiram resolver o problema.

“Quanto mais pro centro (perto da linha que pendurava a régua), menos peso fazia. E, quanto mais para a ponta, mais peso fazia.” (Bento)

“Dois clipes pequenos têm o mesmo peso de um clipe grande.” (Mateus Prates)

“Colocamos dois clipes pequenos na esquerda e um grande na direita: peso e contrapeso.” (Sebastião Picallo)

“Observamos como o grupo da Maria conseguiu equilibrar a régua e, a partir deles, tivemos uma ideia de como organizar nossos clipes.” (Clara)

Assim, as crianças foram explicando, à sua maneira, o princípio de funcionamento de uma balança de braço, que opera a partir do fenômeno físico do equilíbrio dos corpos extensos. Esse é um fenômeno que estamos explorando de diferentes formas e que ajuda a explicar muitos movimentos e dinâmicas presentes nos esportes praticados pelas crianças no ateliê e em toda a escola.

 

Tocha Olímpica e Visita 

F1

As turmas de Primeiro Ano receberam a visita do Arthur, dindo do amigo Tomás da Turma do Movimento, que trouxe um objeto muito especial para as crianças  conhecerem: a tocha das Olimpíadas do Rio. 

Arthur contou que participou do revezamento  que aconteceu em várias regiões do Brasil até a tocha chegar no Rio para a cerimônia de abertura dos jogos. 

Nosso visitante  respondeu algumas curiosidades das crianças e mostrou fotos desse momento tão bacana que viveu em Jaraguá do Sul, sua cidade. Depois, bastante entusiasmadas, as crianças  fizeram  um revezamento da tocha numa roda na sala. 

Foi uma emoção poder segurá-la, sentir seu peso e apreciar de pertinho seus detalhes. 

Agradecemos o Arthur por compartilhar com a gente sua história e esse objeto tão significativo na história olímpica.

Nunca Dez!

F2 – Matemática

As F2 iniciaram atividades para ajudar a responder à pergunta: como os números são formados?

Brincando, explorando materiais e discutindo, as crianças descobriram que cada número possui uma composição e que ele pode ser “desmontado” em partes menores para facilitar os cálculos.

A decomposição dos números no sistema de numeração decimal é uma estratégia importante para entender como os algarismos se organizam nas posições (unidade, dezena, centena…).

Para tornar esse conceito mais acessível, as crianças foram apresentadas ao um jogo “Nunca Dez!”

Nesse jogo, a missão era simples, mas desafiadora: ao juntar dez unidades de palitos, era preciso amarrá-los, formando uma dezena.  Com isso, as crianças foram percebendo, na prática, que os algarismos mudam de valor de acordo com a posição que ocupam nos números.

Contato e Improvisação

F3 – Dança

As turmas de F3 conheceram um pouco do contato improvisação, linguagem da dança proposta pelo bailarino Steve Paxton a partir da investigação do movimento em relação com o outro. O contato improvisação propõe justamente pensar como dois corpos podem dançar juntos através da escuta física e da relação, sem precisar de combinações prévias.
Começamos contextualizando essa linguagem e apreciando vídeos da prática. Conversamos sobre como essa dança acontece através do contato entre os corpos, da escuta, do equilíbrio, do uso da força, do peso e do contra-peso.
Depois, experimentamos essas ideias no corpo. Fizemos exercícios em duplas e em grupos maiores para perceber apoio, transferência de peso e equilíbrio, entendendo como o movimento do outro interfere no nosso próprio movimento, e vice-versa.
Aos poucos, nos aventuramos a improvisar usando essa linguagem. Começamos por um toque leve nas mãos e, aos poucos, o contato foi encontrando outras partes do corpo e se transformando em dança. A proposta exigiu muita concentração e observação para perceber o movimento que surgia na relação e da escuta atenta dos corpos.

 

 

Estratégias de Cálculo

F3 – Matemática

As F3 refletiram sobre diferentes estratégias de resolução de problemas envolvendo multiplicação e divisão. Para este trabalho, maneiras de distribuí-las para formar grupos.

Esse desafio provocou boas discussões, e as crianças compartilharam suas experiências e estratégias de cálculos. 

Algumas trouxeram a ideia de distribuir as tampinhas em grupos iguais; outras optaram pela contagem, uma a uma até chegar ao resultado.

Aos poucos, as turmas foram se aproximando desses conceitos matemáticos e reconhecendo o quanto essas operações fazem parte do nosso dia a dia.

 

Fio Maravilha

F4 – Música

As turmas do quarto ano estão trabalhando a música Fio Maravilha, de Jorge Ben Jor, em diálogo com as aulas de Projeto, nas quais estudam a história do futebol.

Ao longo do processo, as crianças conheceram a trajetória do jogador que inspirou a canção, bem como aspectos da vida e da obra do compositor, ampliando a compreensão do contexto cultural da música.

Neste momento, estamos construindo coletivamente o arranjo, em um trabalho de experimentação no qual cada grupo participa explorando e escolhendo diferentes possibilidades de timbres, texturas e elementos musicais.

Por que Tudo Vira Bola?

F4 – Projeto

“Bola de meia
Bola de gude
Um solidário não quer solidão
Toda vez que a tristeza me alcança um menino me dá a mão.”

(trecho da música “Bola de meia, bola de gude”, de Milton Nascimento)

Bola de meia, bola de papel, saco plástico e até garrafa pet… qualquer coisa que passa de um para o outro vira bola, vira brincadeira e, quando percebemos, todo mundo já está eufórico. Surgiu então, nas F4, a pergunta: “Por que tudo vira bola?”

Para tentar responder a essa pergunta, as turmas iniciaram uma pesquisa sobre as origens da bola, seus formatos, costuras, materiais, relações geométricas e também sobre como ela aparece em diferentes lugares do mundo.

As F4 querem descobrir: qual a origem da bola? De que materiais ela já foi feita? Como era jogar com bolas costuradas à mão? Elas rolavam perfeitamente? Por que existem tantos ditados com a palavra “bola”?

A visita ao Maracanã e o documentário “A Bola” de Estevão Ciavatta, têm ampliado ainda mais as investigações e ajudado as turmas a perceber que uma bola também pode levar a muitos caminhos de pesquisa.

English in Action!

F5 – Inglês

As F5 estão trabalhando, de forma contextualizada, o verb to be e os adjectives, articulando esses conteúdos ao estudo de países, nacionalidades e culturas dentro do tema esportes e jogos. A partir desse contexto, as crianças ampliam o vocabulário e utilizam o inglês em situações reais, como ao descrever atletas, suas origens e características, estabelecendo relações entre língua, cultura e práticas esportivas.

Além disso, há um investimento constante no desenvolvimento da oralidade, com propostas que incentivam as crianças a utilizar o inglês dentro e fora da sala de aula.

Por meio de atividades dinâmicas, como diálogos, jogos e pequenas apresentações, elas ganham mais confiança para se expressar, fortalecem a comunicação, ampliam a participação e desenvolvem maior autonomia no processo de aprendizagem.

 

Números Visuais

F5 – Matemática

Nas aulas de Matemática, temos reforçado para as crianças que essa disciplina exige reflexão, conexão entre ideias e escolha de estratégias para se expressar, seja por meio de números, desenhos ou palavras que traduzam seus modos de pensar. O mais importante é que o raciocínio faça sentido.

Partindo dessa perspectiva, trouxemos para a discussão os Números Visuais, propostos pelo matemático Brent Yorgey, que consistem em representações numéricas construídas por diferentes composições com “bolinhas”. Essa forma de representação levou as crianças a refletirem sobre o que observavam e contribuiu para a consolidação do conhecimento sobre múltiplos, além de favorecer a percepção de padrões e regularidades.

Ao perceberem, por exemplo, que os números múltiplos de 3 seguem uma organização triangular, formando a figura geométrica de um triângulo, e que os múltiplos de 5 se relacionam à forma de um pentágono, as crianças ampliaram suas possibilidades de análise e interpretação matemática.

Dessa forma, as F5 experimentaram diferentes maneiras de pensar a Matemática, valorizando a observação, a formulação de hipóteses e os critérios escolhidos por cada criança para comunicar suas percepções.