Na volta das férias, trouxemos para as aulas os Encantados que povoam as florestas e as crenças brasileiras. Com o Saci, veio a brincadeira da Carapuça Atrás ou Corre Saci. A criançada experimentou pular e pegar o amigo numa perna só.
Depois veio o Boitatá. Boi, palavra indígena que significa cobra. Tatá, outra palavra indígena que significa fogo. Assim, essa cobra de fogo, com olho de vidro e corpo espinhento, é uma protetora das matas, combatente de quem ousa atear fogo nelas. Essa imagem nos inspirou para que cada criança pudesse ser um pedaço dessa cobra. Primeiro rastejando por baixo das pernas dos amigos e depois, segurando no ombro do último da fila., fazendo a cobra serpentear pelo salão. “O Boitatá, Boitatá vai lá. Que tem alguém que está querendo a floresta queimar”. Composição de Ana Moura, antiga diretora da nossa escola.
Nas sextas-feiras, as crianças do Ateliê ampliam o pátio da escola para o Parque Lage, onde encontram um espaço para explorar a natureza, brincar e resgatar brincadeiras populares.
Entre escavações em busca de pedrinhas, “armadilhas do bem” para os animais e deliciosos bolos de lama, a imaginação transforma os elementos da natureza em matéria-prima para muitas descobertas. As bolinhas de gude também fazem sucesso, desafiando as crianças a aprimorar a mira, criar estratégias e se envolver em partidas desafiadoras!
As brincadeiras com bola mobilizam uma parte do grupo e ganham um desafio especial quando ela cai no lago: enquanto os professores criam estratégias para recuperá-la, as crianças fazem uma animada torcida. Jogos como o nó e o reloginho também convidam à comunicação, à atenção e à parceria.
Em meio à natureza, cada brincadeira ganha novos sentidos. O Parque Lage tem sido palco de encontros, invenções, desafios e muitas risadas, onde as crianças compartilham descobertas e, juntas, dão vida às suas próprias maneiras de brincar.
As Turmas do Esporte e do Movimento inauguraram cruzadinha, material solicitado no Primeiro Ano e uma ótima maneira de aperfeiçoar a escrita e a leitura.
As crianças estavam curiosas para usá-la, e agora, com hipóteses mais avançadas, ela se torna um desafio instigante para os grupos.
Ao escrever, muitos percebem que faltam letras e repensam suas hipóteses, se deparam com dúvidas ortográficas e, dessa forma, ampliam saberes e descobertas sobre a nossa Língua.
A interação com os amigos e professoras nesse fazer tem sido um momento rico e estimulante para todos.
As F2 viajaram para onde as Olimpíadas nasceram: Grécia!
Animadas com a nova aventura, preparamos as malas e levantamos hipóteses sobre o que já sabíamos sobre esse país tão importante para a história dos Jogos Olímpicos.
Na data marcada, embarcamos rumo à Grécia. Saímos da nossa sala de aula e, com a ajuda do Google Earth, chegamos virtualmente à Grécia. Visitamos a capital, Atenas, conhecemos o primeiro estádio olímpico, o Panatenaico, passamos pela Acrópole, conhecemos o Partenon e, depois dessas visitas, finalmente fomos até a região da Tessália, onde fica o famoso Monte Olimpo, a casa dos deuses!
Foi uma grande aventura! E, como nunca se retorna de uma viagem da mesma forma em que se foi, as crianças retornaram com novas perguntas e curiosidades para continuarmos investigando através de nossas pesquisas.
Nas aulas de teatro das F2, iniciamos a criação de uma radionovela que tem como fio condutor o roubo da Taça Jules Rimet. Misturando ficção e realidade, as crianças vão encontrando seu lugar na trama sem um texto previamente determinado. O desafio é compreender a história e seu personagem, quem represento e o que preciso comunicar, para construir suas próprias falas dentro do contexto. Para algumas crianças, não ter um texto fixo ainda traz insegurança, mas é justamente essa autonomia que estamos exercitando.
Nesse processo, também trabalhamos a escuta, a ordem das participações e a relação com o microfone: volume da voz, articulação das palavras e percepção do som produzido. As crianças estão muito animadas e têm contribuído bastante para a criação! Em breve, escolheremos os figurinos e aceitaremos contribuições das famílias com peças e acessórios que já tenham em casa. A apresentação será interna, para estudantes de outras turmas e anos da escola.
A conta armada foi apresentada às crianças como mais um recurso para a realização de cálculos. As operações de adição e subtração passaram a ser exploradas também por meio do algoritmo convencional, ampliando o repertório de procedimentos de cálculo da F3.
Conversamos sobre as diferentes maneiras de resolver cálculos e retomamos estratégias já utilizadas por todos. Relembramos a decomposição dos números, o uso do ábaco como apoio para as operações e as possibilidades do cálculo mental.
Foi apresentada a estrutura da conta armada, discutimos os procedimentos importantes para sua utilização e a importância da organização dos registros.
As estratégias construídas até aqui não serão abandonadas. Pelo contrário, a conta armada chega para ampliar as possibilidades de resolução. Dessa forma, as crianças passam a contar com mais um recurso para realizar cálculo e, ao conhecer diferentes procedimentos, ampliar suas possibilidades de pensar e resolver situações matemáticas.
As F4 foram conhecer um projeto social chamado “Daminhas da Bola”, criado em 2016. O projeto foi criado somente para meninas e mulheres jogarem com segurança entre elas.
As meninas têm um espaço diferente dos meninos no futebol porque muitas pessoas acham as mulheres fracas e que o lugar delas não é nesse esporte. Alguns clubes, inclusive, foram obrigados a ter um time feminino para poder participar de outras competições nacionais e sul-americanas.
Nesse projeto, conseguiram mostrar que uma mulher pode ganhar várias medalhas. Conhecemos a Sofia, que conquistou muitas premiações, e vimos troféus de melhores treinadores e treinadoras, Mundialito, Copa Zico e muito mais.
Já saíram de lá mulheres que foram jogar na Seleção Brasileira, no Corinthians, Fluminense, PSV e em outros times nacionais e internacionais. Também têm atletas que chegaram às Olimpíadas.
Os treinamentos por lá são pesados e cansativos. As jogadoras vão treinar mesmo com chuva forte ou sol quente. Só não treinam quando está relampejando.
Durante a conversa com a Joyce, treinadora e primeira jogadora a treinar no Daminhas, observamos que conhecemos e reconhecemos pouquíssimas jogadoras profissionais. Vamos pesquisar isso mais a fundo e mudar essa visão.
A Joyce também compartilhou que foi recusada várias vezes em times de futebol que tinham meninos, por ser menina e querer se envolver nesse esporte. Mas ela persistiu até encontrar o Daminhas da Bola. Antes, jogava somente no recreio da escola.
Lá, a Joyce nos organizou em roda para uma reza, que foi iniciada por uma das alunas. Depois, chamou pequenos grupos para alongar, treinar e chutar a bola para o gol. Para encerrar, jogamos algumas partidas de futebol com as meninas de lá.
Achamos muito legal, porém muito cansativo. Chegamos exaustos!
Nós adoraríamos voltar para jogar mais cinquenta partidas!
Texto coletivo – F4
As F5 têm se dedicado a investigar diferentes maneiras de organizar, representar e interpretar informações. Ao longo desse percurso, as crianças perceberam que os gráficos estão presentes em muitos contextos do cotidiano: eles podem nos ajudar a contar histórias, fazer comparações e chegar a diferentes conclusões.
Partimos da observação e da leitura de tabelas e gráficos, buscando compreender o que cada representação nos revelava. Aos poucos, o grupo foi identificando elementos importantes para a leitura dessas informações, como título, eixos, legenda, fonte e valores, e se desafiando a estabelecer relações entre os dados apresentados.
As crianças exploraram diferentes formas de organizar e representar dados, construindo tabelas, gráficos de linhas e gráficos de setores (pizza). Ao longo das propostas, perceberam que uma mesma informação pode ser apresentada de diferentes maneiras e discutiram qual representação comunica melhor cada conjunto de dados.
Assim, as F5 seguem ampliando o entendimento dos gráficos enquanto uma importante ferramenta para comunicar informações sobre o mundo que nos cerca.