As aulas de Dança dos sextos anos partiram do encontro entre arte, ciência e literatura.
Em roda, começamos ouvindo os alunos: o que já sabiam sobre a teoria do Big Bang, tema que vem sendo estudado nas aulas de Ciências. Em seguida, trouxemos a célebre frase de Nelson Rodrigues: “40 minutos antes do nada, já havia o Fla-Flu” , como provocação.
Como essa ideia dialoga com a teoria do Big Bang?
Como esses assuntos se conectam ao nosso projeto?
E, principalmente: o que tudo isso tem a ver com a dança?
A partir dessas perguntas, conhecemos o espetáculo Onqotô, do Grupo Corpo. A obra nos convida a refletir sobre questões existenciais: onde estou, para onde vou, quem sou, ao mesmo tempo em que nos coloca diante da imensidão do universo e do nosso lugar dentro dele.
A trilha sonora, composta por Caetano Veloso e José Miguel Wisnik, inclui a canção Big Bang, cuja letra articula a teoria científica à provocação de Nelson Rodrigues. Lemos, analisamos e ouvimos a música, além de assistirmos ao trecho do espetáculo em que ela é dançada pelos bailarinos da companhia.
Munidos de referências, perguntas e inquietações, iniciaremos, na próxima semana, a etapa prática do trabalho: experimentar no corpo aquilo que, até aqui, investigamos em palavras, imagens e sons.
Em diálogo com o projeto institucional Ginga e corpo: quando o esporte sonha ser jogo, as turmas de F7 realizaram, durante as aulas de Teatro, a leitura dramatizada da peça Muros Invisíveis, escrita pela professora Janaina Russeff. A obra retrata a rivalidade entre duas famílias divididas por times de futebol adversários, na qual os jovens Romeu e Julieta se aproximam e questionam o ódio que herdaram, buscando um jeito diferente de se relacionar para além das camisas e dos muros invisíveis.
Esse foi um momento importante para que os alunos entrassem em contato com o texto que será montado para a Mostra de Arte, além de estabelecerem conexões entre a trama da peça e o tema anual. Por meio da análise da peça, buscou-se compreender como a história apresentada explicita o afastamento do esporte de sua dimensão lúdica e relacional, quando submetido à lógica da performance e do resultado. A partir da narrativa, os alunos foram levados a reconhecer conexões com o projeto, entendendo o “jogar” como um espaço de prazer, encontro e aprendizagem ética.
Na próxima etapa, os alunos irão ensaiar e conceber os elementos da encenação — como cenário, figurino e programação visual.
As turmas de oitavo, tradicionalmente, tem o desafio de desenvolver a técnica do pandeiro nas aulas de música. Instrumento milenar que está presente em diversas culturas e aqui no Brasil também pode ser encontrado com vários formatos e sotaques.
Conhecemos um pouco desta história assistindo Breve História do Pandeiro , uma vídeo aula de Bernardo Aguiar, que destaca a importância dos mestres na formação da identidade carioca na maneira de tocar o pandeiro.
Oportunamente por conta do projeto institucional deste ano, a capoeira não podia ficar de fora da nossa pesquisa musical em torno do pandeiro, logo, os primeiros contatos com o instrumento foram através do toque do pandeiro nesta dança/luta/jogo. As diferentes levadas de berimbau e seus contextos históricos também foram assunto nas aulas.
Na semana do dia internacional da mulher, abordamos o papel desempenhado pelas mulheres em diferentes momentos da nossa história nas rodas de capoeira e aprendemos a cantar a toada “Ê Mulher” que resume essa trajetória em sua letra.
Outra música do universo da capoeira que já entrou no nosso repertório foi “Marinheiro Só” , canto tradicional de pergunta e resposta, gravado pela diva Clementina de Jesus. Outra canção que faz referência ao jogo da capoeira e que está em processo de ensaio é a icônica “Berimbau”, de Vinicius de Moraes e Baden Powell.
Nas últimas aulas de Artes Visuais, as turmas do oitavo ano mergulharam em um estudo sobre Carybé, artista argentino que viveu em Salvador e dedicou sua produção à representação da cultura afro-brasileira, retratando com sensibilidade e intensidade manifestações como a capoeira e o cotidiano baiano.
A partir da observação de suas obras, especialmente suas representações da capoeira, os estudantes foram convidados a perceber como o artista utilizava linhas simples, curvas e expressivas para representar o movimento, o ritmo e a interação entre os corpos. Discutimos em sala como pequenos gestos e inclinações já são capazes de comunicar ação e intenção no desenho.
Em seguida, iniciamos exercícios práticos focados no desenvolvimento do olhar: os alunos experimentaram desenhos rápidos, priorizando a captura do gesto e da postura, sem se prender aos detalhes. Essa etapa foi fundamental para prepará-los para o desenho de observação e registro de movimento.
Nas próximas aulas, os alunos irão se aprofundar nos diferentes golpes e movimentos da capoeira, observando imagens de capoeiristas em movimento e registrando em desenhos a ginga, as esquivas e as interações entre os jogadores. Sempre inspirados nas soluções visuais de Carybé, buscando clareza e força na representação do movimento.
Os trabalhos produzidos serão apresentados na nossa próxima mostra de artes da escola. Mas a conversa sobre a capoeira e sua relação com a cultura brasileira ainda terá continuidade em outras disciplinas,como História e Música, ampliando as conexões e aprendizagens dos alunos.
Em março, os alunos do 9º ano avançaram no estudo da globalização, focando nas profundas disparidades que caracterizam o mundo atual. A partir das reflexões iniciadas com o documentário de Milton Santos, discutimos como o processo de integração global ocorre de forma seletiva e desigual. O fechamento desse ciclo se deu com a entrega da ficha avaliativa sobre o filme. Agora, a turma dedica-se à montagem dos seminários, organizando pesquisas e materiais visuais para as apresentações que ocorrerão em abril, consolidando o protagonismo estudantil na construção do conhecimento geográfico.