Entre os dias 11 e 15 de maio, a Escola Sá Pereira realizou a Semana Diálogos sobre Gênero, um encontro construído por muitas mãos e marcado pela parceria entre escola e famílias, movidas pelo desejo comum de refletir sobre a formação que queremos oferecer às nossas crianças e jovens diante de questões tão urgentes do nosso tempo.
Ao longo da semana, nossa comunidade participou de oficinas e conversas sobre os direitos das mulheres, a presença feminina no esporte e as relações entre meninos e meninas, reafirmando princípios fundamentais do nosso projeto pedagógico: o respeito às diferenças, o cuidado nas relações, a convivência democrática e a construção de uma sociedade mais justa e acolhedora.
Mais do que os temas discutidos, gostaríamos de destacar a forma como esse processo foi construído: por meio da escuta, da participação coletiva e do diálogo entre escola e famílias, uma marca tão importante da nossa escola.
Nosso agradecimento especial a todas as pessoas que tornaram essa semana possível. À Geovana Pires, que abriu a programação com a oficina A poesia formando coletivos para as famílias e com a apresentação de Perigosas Damas para os estudantes da F9 e do Ensino Médio. À Jaqueline Silva, medalhista olímpica do vôlei de praia e às nossas alunas atletas Martina Casé, Maria Ester, Pietra Oliveira, Leticia Helal e Sofia Barbosa, que compartilharam suas trajetórias e reflexões no encontro sobre meninas no esporte. À Daniela Braga, pela vivência de dança com os jovens da M3. E à promotora Gabriela Lusquinos, que encerrou a programação dialogando com os estudantes do Fundamental II sobre misoginia, cyberbullying, uso das telas e os desafios do convívio contemporâneo.
Seguimos acreditando na importância de criar espaços de encontro, escuta e diálogo para fortalecer uma educação mais humana, sensível e comprometida com o cuidado coletivo.
A partir do Jogo do Eco, onde cada criança inventou uma melodia utilizando duas ou três notas musicais e em seguida a turma toda repetia como um eco.
Selecionamos algumas melodias e montamos uma pequena composição coletiva. A partir da melodia fixada, escrevemos a partitura para não esquecer.
Mas entre uma semana e outra o professor “esqueceu” qual era a partitura e embaralhou com outras melodias. Mas por sorte as turmas conseguiram ler as partituras e identificar suas obras.
Em seguida começamos a criar um acompanhamento rítmico para a melodia, utilizando o mesmo recurso do Jogo do Eco, mas desta vez só com percussão (agudo e grave). Agora, vamos tentar inserir uma letra associada a cada projeto das turmas de sextos anos
Nas aulas de Artes Visuais das F7 os estudantes iniciaram um projeto inspirado em uma tradição bastante presente na cultura brasileira durante as Copas do Mundo: as pinturas de rua. A proposta parte da ideia de compreender a arte urbana como uma manifestação coletiva, ligada à identidade, à celebração e à ocupação criativa dos espaços.
Neste primeiro momento, as turmas foram apresentadas ao projeto e realizaram uma pesquisa guiada sobre diferentes exemplos de ruas pintadas em diversas regiões do Brasil. Observamos juntos como essas produções utilizam cores, símbolos, padrões e repetições para transformar ruas em grandes painéis coletivos, além de discutir como essas práticas fortalecem o sentimento de pertencimento e convivência entre as pessoas.
Neste primeiro momento, os estudantes demonstraram bastante interesse ao analisar as imagens, identificar elementos visuais recorrentes e compartilhar referências encontradas durante a pesquisa. Em seguida iniciaremos o desenvolvimento das primeiras propostas visuais, pensando em composição, ritmo, repetição e criação de imagens em grande escala.
Nas próximas etapas, os alunos irão transformar suas ideias em projetos coletivos, produzindo grandes painéis pintados, simulando as tradicionais ruas decoradas durante a Copa. Estamos muito animados para acompanhar os próximos desdobramentos do projeto e ver como cada turma irá construir, em grupo, suas próprias interpretações dessa manifestação artística tão ligada à cultura popular brasileira.
Nas aulas de teatro, as turmas de F8 iniciaram uma nova etapa de trabalho com a adaptação teatral de Capitães da Areia, de Jorge Amado. Após a realização da leitura dramatizada e das reflexões sobre a obra, demos início ao processo de ensaios, marcações e elaboração dos projetos criativos.
Entendendo o teatro como um exercício de cooperação e coletividade, os alunos foram organizados em equipes de trabalho cenário, figurino e programação visual , que serão responsáveis por criar os elementos da encenação. Essa prática reforça a ideia de que o aprendizado se consolida de forma mais potente quando construído coletivamente. Em breve, o resultado desse processo será compartilhado com a comunidade escolar na Mostra de Artes.
Os alunos participaram de uma oficina que aproximou a dança de conceitos da Física. A partir da técnica de contato e improvisação, experimentaram no próprio corpo ideias como inércia, alavanca e concentração de momento, especialmente nos giros, percebendo como o movimento se altera conforme o corpo se organiza no espaço.
Ao longo da atividade, o que muitas vezes aparece de forma abstrata nas fórmulas ganhou sentido concreto. O peso, o apoio, o impulso e o equilíbrio deixaram de ser apenas conceitos para se tornarem experiência.
A oficina reforçou um dos caminhos do nosso trabalho: compreender que o conhecimento não está separado. A dança também pensa, investiga e explica. E, quando o corpo entra em jogo, aprender pode ser também experimentar.
A aula articulou filosofia, arte e ciência ao convidar os alunos a olharem para as vidrarias de laboratório não apenas como ferramentas utilitárias, mas como objetos dotados de potencial imaginativo. Inspirada por referências como Arthur Bispo do Rosário e René Magritte, a experiência buscou “transtornar” a função técnica de itens como a pipeta e o bécher, transformando-os em “inutensílios” e poesia por meio de fotografias que operaram a montagem de cena e o trabalho com luz e sombras. Ao transvalorar esses instrumentos, a atividade estimulou a dimensão criativa do fazer científico, permitindo que os estudantes reinventassem e recriassem as histórias e as formas desses objetos através de uma lente que integrou ciência, arte e cultura.
Nas aulas de Dança das F9, assistimos ao espetáculo Cirandas Cirandinhas, da companhia ANAVITÓRIA, que transforma brincadeiras infantis em linguagem cênica, a partir da obra homônima de Heitor Villa-Lobos.
Após a apreciação, abrimos uma roda de conversa para escutar as impressões dos alunos e identificar, coletivamente, as brincadeiras reconhecidas ao longo do espetáculo. Em seguida, organizados em pequenos grupos, os estudantes escolheram algumas dessas referências e iniciaram um processo de criação, transformando-as em células coreográficas.
A proposta convida os alunos a investigar o brincar como experiência do corpo: um corpo que aprende, experimenta e reflete em movimento. Ao deslocar a brincadeira para a cena, ampliamos seu sentido, aproximando dança e jogo como formas de expressão e relação.
O resultado dessa pesquisa será apresentado na Mostra de Artes, em diálogo com o trabalho desenvolvido nas aulas de Música.