5ª Feira Literária da Sá Pereira: Literatura, Jogo e Celebração

No dia 15 de agosto, aconteceu a 5ª Feira Literária da Sá Pereira. Guiada pelo tema “Na roda de leitura, a palavra ginga”, a literatura foi vivenciada e jogada por todos os espaços da escola.

Estudantes de todas as idades e suas famílias mergulharam em uma programação diversa: oficinas para o Ensino Fundamental 1, rodas de leitura, manifestos e apresentações do Ensino Fundamental 2 e do Ensino Médio.

Nas salas de aula, corredores e escadas, ganharam vida os trabalhos inspirados nas leituras realizadas pelos estudantes ao longo do ano, produções que dialogavam diretamente com o nosso projeto institucional. Nas paredes e murais, era possível reconhecer a riqueza dos diferentes gêneros textuais que compõem o repertório da nossa formação leitora. Quadrinhos, poesias, crônicas e textos jornalísticos, etc, enfeitaram a escola com a criatividade e o apuro artístico de nossos estudantes.

Além dos projetos de Língua Portuguesa, as produções em Matemática, História, Ciências e Inglês reafirmaram a nossa convicção: a formação leitora é um compromisso transdisciplinar, que atravessa todas as áreas do conhecimento.

Crianças pequenas e “crianças adultas” se divertiram investigando “O Caso das Legends Roubadas”, interrogando suspeitos espalhados pela escola. A dinâmica foi inspirada no clássico O Gênio do Crime e no famoso jogo de tabuleiro Scotland Yard. O Culpado? O coordenador Pedro Ouro…

Nossa biblioteca recebeu mais uma vez o espaço Autores da Comunidade, abrindo alas para escritores e escritoras lançarem suas obras. Este ano, uma publicação teve um brilho especial: o livro “O jogo começou”, do nosso aluno Joaquim Prisco.

A programação contou ainda com a Oficina de Crônicas Esportivas, o Salão de Jogos Matemáticos das F6s, a Banca de Jornal das F8s e a concorrida Amarelinha Literária.

Para coroar a festa, a Feira do Terraço, o entusiasmo dos Estudantes da Alegria e a Roda de Samba do Ensino Médio transformaram o dia em um momento inesquecível, celebrando a literatura como jogo, encontro e brincadeira. Nossa escola virou um grande e afetuoso parque de diversões!

O Ritmo dos Afoxés

F6 – Música

Os sextos anos iniciaram o semestre mergulhando na riqueza das tradições musicais africanas. Assistiram ao documentário FOLI (https://youtu.be/lVPLIuBy9CY?si=JRPSL3B2YFpUFznL), no qual o mestre Djembefola (“aquele que faz o djembe falar”), Mansa Camio, apresenta uma ideia que atravessou todo o nosso trabalho: “Tudo é ritmo!” A fala, o caminhar, o trabalho e a vida cotidiana são atravessados pelo ritmo. A partir dessa reflexão, as crianças conheceram o toque do Ijexá, explorando a polirritmia por meio da vocalização de cada instrumento e da incorporação das diferentes células rítmicas através do movimento do corpo.

Em seguida, assistiram ao documentário sobre o Afoxé Filhos do Congo (https://youtu.be/hSU_0sUTY-8?si=UmHca-eJCcVGbhhn), conhecendo a trajetória do Ijexá no carnaval baiano e as estratégias de resistência cultural que exigiram muita ginga para driblar a repressão policial.

Ao longo das aulas, experimentaram o toque do Ijexá em agogôs, chocalhos, atabaques, tamborins e surdos, iniciando também o aprendizado de comandos básicos de regência. Entre escuta, prática e criação coletiva, descobriram o balanço característico do Ijexá e compreenderam como ritmo, corpo e cultura caminham juntos.

Escutar também é Movimento

F6, F7, F8 e F9 – Dança

As aulas de Dança do Fundamental II começaram o segundo semestre com um convite: antes de dançar, aprender a escutar. Em uma sequência de jogos e experimentações corporais, os estudantes refletiram sobre o significado da escuta e descobriram que ela acontece muito além dos ouvidos. Pelo olhar, pela atenção, pelo silêncio e pela presença, experimentaram novas formas de perceber o espaço, os colegas e o próprio corpo.

Ao construir, coletivamente, uma grande escultura corporal, os alunos exercitaram a observação, a confiança e o diálogo por meio do movimento, compreendendo que a escuta é uma das bases da vida em comunidade. Aprender a perceber o outro, respeitar diferentes tempos, esperar, observar e responder com sensibilidade são experiências que ultrapassam a aula de Dança e fazem parte da formação humana que buscamos construir na escola. Afinal, toda aprendizagem significativa começa quando estamos verdadeiramente disponíveis para o encontro.

Estudo de Campo pela Pequena África

F8

A ida à Pequena África, no Centro do Rio de Janeiro, já é um tradicional e potente estudo de campo no currículo das turmas de F8. Conhecer esse território é parte fundamental para compreender os diferentes aspectos que compõem o ano letivo, dialogando de forma viva com diversas disciplinas.

Esse percurso articula o estudo do processo de abolição sob uma perspectiva crítica nas aulas de História, os conhecimentos sobre o continente africano em Geografia e o debate sobre as teorias do racismo científico nas aulas de Ciências. A série se aprofunda, ainda, na alfabetização antirracista por meio da leitura do livro “Pequeno Manual Antirracista”, de Djamila Ribeiro, nas aulas de Língua Portuguesa.

Nosso itinerário começa na Praça Mauá — local para onde foi transferido o tráfico negreiro que antes ocorria na Praça XV. Ao longo da jornada pelo Cais do Valongo, IPN e arredores, os estudantes entram em contato com a porta de entrada de milhões de africanos que cruzaram o Atlântico, sequestrados de suas terras natais.

Apesar de ser um trajeto onde as marcas do sofrimento são notórias — e que muitas vezes precisam ser escavadas após sucessivas tentativas de apagamento histórico —, a caminhada também é um ato de celebração. Nosso trajeto termina na Pedra do Sal. Ali, celebramos a existência, a resistência e a reexistência da cultura afro-brasileira. Afinal, a Pequena África é berço do samba, do choro e dos primeiros terreiros, palco daqueles que resistiram e construíram o nosso país com seus braços, seu suor, sua sabedoria e sua alegria.

Novos Olhares sobre os Esportes

F6, F7, F8, F9 – Artes

Depois do recesso de julho, os estudantes do Ensino Fundamental II voltaram às aulas de Artes Visuais cheios de energia e deram continuidade às investigações relacionadas ao nosso projeto pedagógico.
Os 6º anos foram desafiados a imaginar e ilustrar jogos e brincadeiras impossíveis: basquete na Lua, futebol debaixo d’água e corrida de sereias foram algumas das ideias criadas pelas turmas. Um exercício de imaginação, criatividade e liberdade para inventar novas possibilidades de brincar e jogar.
Os 7º anos também mergulharam no universo da criação de personagens e desenvolveram mascotes para uma Olimpíada inventada. Cada estudante escolheu uma cidade e pesquisou como representar sua cultura e suas tradições, transformando um elemento característico do lugar em um personagem com identidade, carisma e apelo visual.
Nos 8º anos, o foco foi o infográfico e suas possibilidades de comunicação visual. Depois de conhecer suas principais características, os estudantes criaram infográficos lúdicos sobre o corpo em movimento, investigando como diferentes partes do corpo participam dos esportes e das brincadeiras, seja para quem pratica, torce ou até mesmo para quem apita. A proposta valorizou a combinação entre informação, imagem, composição e poesia.
Já os 9º anos conheceram um pouco da história e das possibilidades dos zines e foram convidados a refletir, com muito humor, sobre o outro lado do esporte: o de quem perde. Surgiram diferentes “Manuais de como sobreviver sendo o último colocado”, transformando a experiência da derrota em matéria para a criação artística e para uma reflexão sobre frustração, persistência e crescimento.
Assim, retomamos o semestre explorando diferentes linguagens: ilustração, design de personagens, infografia e zine, sempre buscando olhar para o esporte para além do resultado e descobrir novas formas de imaginar, criar, jogar e aprender juntos.

Da Experimentação à Dramaturgia.

F9 – Teatro

Nas aulas de Teatro, as turmas de F9 estão experimentando e contribuindo com ideias para a criação do texto da Festa de Encerramento em cima do projeto Ginga e Corpo: Quando o esporte sonha em ser jogo.
A partir de jogos, improvisações e conversas, os estudantes investigam situações relacionadas ao esporte, à competição, ao corpo, à coletividade e à dimensão do jogo.
As experiências e reflexões que surgem ao longo das aulas contribuem para a construção das ideias que darão forma à dramaturgia do espetáculo.

Dos Jogos Vorazes aos Jogos de Tabuleiros

F9 Língua Portuguesa

A leitura de Jogos Vorazes ganhou uma nova dimensão quando os estudantes foram mobilizados pela professora Valquíria Luna a transformar a narrativa em uma experiência de jogo de tabuleiro. O desafio era transpor personagens, conflitos, escolhas e elementos do universo da obra para uma nova linguagem e o resultado revelou muito engajamento, criatividade e autoria.

Ao longo da proposta, os estudantes precisaram ir além da compreensão da história. Foi necessário identificar os elementos essenciais da narrativa, pensar em regras, objetivos, estratégias, desafios e possibilidades de interação entre os jogadores. A obra literária tornou-se, assim, matéria-prima para um processo de criação coletiva.

No dia da Feira Literária, foi possível ver o resultado da produção criativa: sala cheia, estudantes e famílias interagindo, jogos a todo vapor. No fim, podemos concluir que foi uma experiência em que ler foi também imaginar, projetar, testar, jogar e promover o encontro da comunidade escolar.

 

Oficina de Jornalismo: entrevistas

Oficina de Jornalismo

Nesta semana, os alunos da Oficina de Jornalismo foram a campo entrevistar profissionais que trabalham na Sá Pereira. Saíram tantos conteúdos interessantes dessa atividade que foi até difícil escolher o que seria publicado aqui.

Decidimos pela entrevista com Yasmin Campos, responsável pela biblioteca da escola, feita pela aluna Stella Marinho, do 6º ano. 

A conversa girou em torno do trabalho de Yasmin e de livros, claro. Nossa entrevistada ainda indica um título para vocês, leitores.

Lembrando: a Oficina de Jornalismo acontece às terças-feiras, das 13h30 às 15h, e é aberta a todos os alunos do 6º ao 8º ano.

 

Yasmin, qual é o seu livro favorito e por quê?
O meu livro favorito é “Perdida”, da autora Carina Rissi. Ela é uma autora brasileira, e o livro é um romance de época.

O que você mais gosta no seu trabalho?
Quando eu indico um livro para as crianças e adolescentes aqui da escola e eles gostam. Adoro quando os alunos vêm me contar o quanto o livro indicado é bom.

Se você tivesse que indicar um livro para os nossos leitores, qual seria e por quê?
Eu indicaria “Matilda”. É um livro sobre uma família diferente. Ela tenta buscar uma outra família e também aprende a lidar com os seus sentimentos e poderes.